Tenho 25 Anos- Pelo olhar do cinema
COM FUNDAÇÃO DE SERRALVES
Tenho 25 anos - Pelo olhar do cinema é um projeto intergeracional desenvolvido pelo BOA - Bombarda Oficinas de Artes em colaboração com a Fundação de Serralves, no qual o cinema surge como dispositivo artístico, pedagógico e relacional. Através do encontro entre seniores e jovens, o projeto propôs-se criar um espaço de escuta, partilha e criação, onde diferentes tempos de vida se cruzam e se reconhecem mutuamente.
Partindo da experiência acumulada no projeto Tenho 25 anos (2011-2018), esta edição direcionou-se para o cinema enquanto ferramenta de inclusão, reflexão crítica e expressão sensível. A visualização e discussão de filmes - com particular destaque para a obra de Manoel de Oliveira e para curtas-metragens do acervo do Museu de Serralves - funcionaram como ponto de partida para questionar o modo como vemos o mundo, como construímos narrativas e como habitamos a imagem.
O projeto teve como tema central a invisibilidade, explorando paralelismos entre duas gerações frequentemente afastadas quer entre si, quer do centro da vida social: os seniores, confrontados com processos de abrandamento, perda de papéis sociais e esquecimento, e os jovens, em fases intensas de transformação identitária, muitas vezes subvalorizados ou silenciados. Apesar de percorrerem caminhos distintos, ambos partilham sentimentos de exclusão, fragilidade e invisibilidade social.
Ao longo de sessões, com trabalho desenvolvido com cada grupo e com encontros intergeracionais, o projeto convidou a explorar práticas artísticas que cruzaram jogos de relação, debates, experimentação visual, criação de guiões, captação de imagem, som e edição. O cinema foi vivido não apenas como objeto de fruição, mas como processo: observar, imaginar, construir, narrar e dar forma a experiências pessoais e coletivas. A criação de produtos audiovisuais finais permitiu tornar visíveis histórias, memórias e desejos que habitualmente permanecem à margem.
Tenho 25 anos - Pelo olhar do cinema afirma o cinema como um território de encontro entre gerações, tempos e linguagens, capaz de ativar pensamento crítico, empatia e criação partilhada. Um projeto que ilumina a potência do fazer artístico como prática de cuidado, escuta e transformação coletiva.